domingo, 2 de junho de 2013

Alongamento Estático vs. Dinâmico

Postado por: Letícia Carluccio
 
Em períodos de descanso, os músculos tendem a ficar rígidos devido a diminuição do fluxo sanguíneo. Os objetivos do alongamento (e aquecimento) são soltar os músculos e os tendões, para aumentar a amplitude do movimento das articulações, e elevar a temperatura do corpo. Um aquecimento bem executado é capaz de aumentar a temperatura do corpo e a circulação sanguínea, fazendo com que o oxigênio passe mais facilmente da corrente sanguínea para os músculos, usando a energia armazenada (glicogénio muscular) de uma forma mais eficaz.
 
O uso do exercício de alongamento estático buscando potencializar a força (in vivo) se sustenta no pressuposto de se tentar atingir uma maior ativação das pontes transversas, visto que experimentos (in vitro) demonstraram aumentar a força de contração quando se aumenta o espaçamento longitudinal entre actina e miosina até determinados pontos.
 
A contração do músculo no alongamento estático deve ser feito por no mínimo 10 segundos, Se um músculo é alongado por pouco tempo ou muito rapidamente, o fuso muscular irá se contrair, estimulando as fibras musculares e aumentando a tensão muscular.
Este processo é denominado reflexo de estiramento monossináptico. Alongamentos estáticos que são realizados em uma velocidade muito alta podem aumentar a tensão no músculo que deveria ser alongado. Quando se aplica uma força de alongamento lenta em um músculo, ocorre a inibição da tensão no músculo, permitindo que o sarcômero do músculo se alongue.
 

 
 
Esse sistema é considerado menos eficiente do que o alongamento dinâmico, por não contar com o princípio da inibição recíproca, no qual ao contrair um músculo para realizar o movimento, o sistema nervoso automaticamente relaxa seu agonista, permitindo um ganho de amplitude. Esse conceito é a base do alongamento dinâmico.
 
Diferente do alongamento estático, no  qual o corpo fica parado, o alongamento dinâmico envolve a movimentação de partes do corpo que aumentam sua amplitude e velocidade. São exercícios caracterizados por movimentos pendulares e repetitivos. O alongamento dinâmico é uma forma de exercício que trabalha a flexibilidade mais eficientemente, pois explora a capacidade de levar cada articulação ao seu ponto de máxima amplitude, através da utilização de todos os músculos envolvidos no movimento específico. Ele consiste em deslocações lentas que, gradativamente, vão ampliando a mobilidade articular.
 
 
 
O alongamento dinâmico deve ser realizado antes do treino principalmente, por ser uma excelente maneira de deixar o corpo todo preparado para a tarefa a seguir. Este tipo de alongamento proporciona um aquecimento dos músculos e do tecido conjuntivo, que envolve as articulações, diminui o risco de lesões e melhora a performance nos treinos.
 
Referências Bibliográficas:
http://mauren.terra.com.br/noticias/rolodex/conheca-o-alongamento-dinamico-mais-eficiencia-na-hora-do-treino/
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-86922011000100005
http://www.portaleducacao.com.br/fisioterapia/artigos/31321/resposta-neurofisiologica-do-musculo-ao-alongamento#ixzz2Z4ptIInu

Contração Muscular

Postado por: Letícia Carluccio
 
Na contração muscular, o primeiro fator que deve acontecer é o impulso nervoso. Esse impulso nervoso, também chamado de potencial de ação é propagado por um neurônio, que chegará até a fibra muscular. O espaço entre o neurônio e a célula muscular é chamado de sinapse neuromuscular ou junção neuromuscular. É nesse espaço que o comando de contração irá ocorrer, na qual ocorrerá a liberação de substâncias chamadas neurotransmissores. Neste caso, o neurotransmissor liberado é a acetilcolina.
A acetilcolina, ao se ligar aos receptores da membrana sarcoplasmática da célula muscular, irá promover a despolarização da membrana através do influxo de sódio.


O influxo de sódio que levará a despolarização, será propagado através dos chamados túbulos T, que irá estimular a saída de cálcio armazenado no retículo endoplasmático das células musculares, promovendo a contração muscular.
Os músculos são compostos por proteínas contráteis: a actina e a miosina. Tais proteínas são arranjadas em unidades chamadas sarcômeros.



No momento em que o cálcio é liberado do reticulo endoplasmático para o meio citoplasmático, as fibras de miosina serão ligadas as fibras de miosina. A ligação destas fibras permite o encurtamento do sarcômero, promovendo a contração da célula muscular e consequentemente a contração do músculo.
Mas como o cálcio permite o encurtamento dos sarcômeros?
Basicamente, o cálcio deixará exposto o sítio de ligação da miosina na actina, uma vez que haverá alteração na conformação da troponina que “empurra” a tropomiosina para o interior do sulco da actina, permitindo a ligação entre essas duas proteínas.

O relaxamento muscular é causado pela degradação do neurotransmissor acetilcolina, por ação de uma enzima denominada acetilcolinesterase. Deste modo, o estímulo será cessado, ocorrendo a repolarização célula. O cálcio que encontrava-se no citoplasma voltará para o retículo endoplasmático. Na ausência de cálcio, os sítios de ligação da miosina e da actina serão interrompidos.
É importante lembrar que a contração muscular, bem como o relaxamento muscular, requer o gasto de energia na forma de ATP. Ou seja, para que ocorra o encurtamento do sarcômero e desfazer a ligação das cabeças de miosina na actina é necessário gasto energético
Referências Bibliográficas:
http://superaerobico.com.ar/2013/05/fibras-musculares-i-iia-y-iib/
http://neurotransunb.blogspot.com.br/2011/07/miastenia-gravis-mg-e-uma-doenca-que.html
MARZZOCO, Anita; BAPTISTA, Bayardo. Bioquímica Básica. 2 ed. Guanabara: Rio de Janeiro, 1999. p. 303-308
 

sábado, 1 de junho de 2013

Junção Neuromuscular

Postado por: Letícia Carluccio
Conforme explanado anteriormente, as fibras rápidas caracterizam uma contração extremamente rápida. Ou seja, os músculos têm potencial de movimento potente e explosivo por possuírem maior número de junções neuromusculares.


Mas o que são junções neuromusculares?
Em resumo, os neurotransmissores são substâncias químicas produzidas pelo neurônio com função de biossinalização. Além de atuar permitindo o contato entre neurônios, permitem também que ocorram sinapses entre um axônio de um neurônio motor para as fibras musculares esqueléticas. Essa ligação é chamada de junção neuromuscular, ou placa motora.

A acetilcolina é o neurotransmissor responsável pela sinapse neuromuscular. Quando ligada aos receptores especializados da membrana sarcoplasmática da fibra muscular, permite a ocorrência do potencial da placa motora (PPM) e uma consequente ocorrência de reações que desencadeará a contração muscular.
Quanto maior o número de placas motoras, mais preciso será o controle neuronal durante o movimento.

Se interessou?
Em breve o processo de contração muscular será explicado detalhadamente.
Fiquem ligados!
Referências Bibliográficas:
http://weheartit.com/entry/50070911
http://neuromed91.blogspot.com.br/2010/08/miastenia-gravis.html

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Vídeo Post: Fibras Musculares

Postado por: Letícia Carluccio

Observação: durante a explicação sobre a fibras rápidas, foi dito que não é necessária a utilização de oxigênio para que ocorra a glicólise, mas a glicólise pode ser aeróbia ou anaeróbia. No caso da explicação mencionada no vídeo (2:34min), tratamos da glicólise anaeróbia, em que haverá produção de lactato sem o uso de oxigênio.

Para ver o vídeo, clique AQUI

Tipos de Fibras Musculares (Parte 2: Fibras Rápidas)

Postado por: Letícia Carluccio
As fibras musculares rápidas podem ser dividas em dois subgrupos: as fibras rápidas glicolíticas oxidativas (IIa) e as fibras glicolíticas rápidas (IIb).

As fibras tipo IIa ou fibras glicolíticas oxidativas são as fibras intermediárias (possuem aspectos de transição entre fibras tipo I e tipo IIb), caracterizadas por possuírem muitas mitocôndrias (organela na qual ocorre o processo de respiração celular) e mioglobinas. Por essa concentração de moléculas ser um pouco menor do que nas fibras lentas, as fibras do tipo IIa apresentam coloração rosada.

Essas fibras possuem também grandes quantidades de glicogênio, capacidade de efetuar glicólise anaeróbica e possuem contração rápida e resistente à fadiga, responsável pela geração de alta tensão muscular.
Ass fibras tipo IIa serão mobilizadas quando houver necessidade de graus médios de contração por períodos não muito prolongados mas também não muito curtos (até alguns minutos).

Exemplo: corredores de 400 e 800metros.
Outros exemplos:
                           Florbela Machado: nadadora e recordista nacional de 800 metros livres
Charlotte Harisson: jogadora de hóquei da seleção da Nova Zelandia nas Olimpíadas de 2012.


As fibras tipo IIb ou fibras glicolíticas rápidas podem também ser chamadas de fibras brancas, devido a pequena quantidade de mioglobina e mitocrôndria. Portanto, estas fibras possuem baixa capacidade de utilização de oxigênio para manter sua atividade. Apresentam alta atividade enzimática anaeróbica, além de armazenar alta quantidade de glicogênio. Sua atividade ATPásica é mais rápida do que em todos as outras fibras, por conseguinte irá apresentar alta capacidade de contração rápida (a velocidade de contração e tensão gerada é 3 a 5 vezes maior comparada às fibras lentas!), gerando movimentos rápidos, poderosos e precisos. 
O tênis é um esporte que exige movimentos de explosão, rápidos e precisos. Na foto: Maria Kirilenko (#15 no WTA Ranking)

Um aspecto importante sobre as fibras tipo IIb é o fato de se fadigarem rapidamente, como resultado da produção de ácido lático.

Predomina em atividades anaeróbias que exigem arranques, bruscas paradas, arranques com variação de ritmo e saltos. 

Exemplos: basquete, futebol, tiros de até 200 metros, musculação, levantamento de peso, entre outros.

Usain Bolt: considerado o maior velocista de todos os tempos. Recordista mundial das corridas de 100 e 200 metros rasos.

Levantamento de peso

Até o próximo post!

Referências:
ROSS, Michael H.; PAWLINA, Wojciech. Histologia: Texto e Atlas. 6ed. Guanabara: Rio de Janeiro, 2012. p. 323 e 324
http://www.portaleducacao.com.br/educacao-fisica/artigos/14991/fibras-de-contracao-lenta
http://weheartit.com/entry/51823840?pgx=NewNav
http://weheartit.com/entry/16071600?pgx=NewNav
http://weheartit.com/entry/61330873?pgx=NewNav
http://www.publico.pt/desporto/noticia/nadadora-florbela-machado-bate-recorde-nacional-1589491
 

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Tipos de Fibras Musculares (Parte 1: Fibras Lentas)

Postado por: Letícia Carluccio

Olá!

Conforme explicado na postagem anterior, existem três tipos distintos de tecido muscular. No blog será enfatizada a ação do tecido muscular estriado esquelético, ou seja, dos músculos que permitem os movimentos voluntários em nosso corpo. Este post é dividido em duas partes e foi elaborado de forma a elucidar os tipos de fibras musculares que constituem este tipo de tecido.

Existem dois tipos de fibras musculares: as fibras lentas (tipo I) e as fibras rápidas (tipo IIa e IIb)

As fibras lentas (tipo I) ou oxidativas possuem uma baixa atividade ATPásica. Sabemos que o ATP é a unidade de energia utilizada pela célula, e este tipo de fibra possui uma baixa atividade de quebra de ATPs, portanto o músculo será caracterizado por possuir contração lenta. São os músculos utilizados para atividades de resistência.




 Mountain Biking

Essas fibras também são chamadas de fibras vermelhas, por possuírem alta concentração de mioglobina. A mioglobina é a molécula responsável por armazenar oxigênio nos músculos, visto que o metabolismo de reposição de energia é um metabolismo oxidativo, ou seja, neste caso o processo responsável pela produção de energia é a respiração celular, que consiste na oxidação de moléculas orgânicas pelo corpo. 

São também caracterizadas por possuir altas concentrações de compostos orgânicos, como glicogênio e gorduras, pois tais moléculas são passíveis de serem oxidadas no metabolismo para produção de ATP.
Justamente por possuírem elevado potencial oxidativo, essas fibras serão mobilizadas durante atividades de longa duração.

Corridas de longa duração

Outros exemplos de atividades realizadas por músculos de contração lenta: natação, maratona, triathlon, spinning, jump, entre outros.

As  principais fibras dos músculos longos das costais são as fibras lentas, que são adequadas à contração lenta e longa, necessária para a manutenção da postura corporal.
                                                Stand Up Paddle: Postura corporal

Referências:
http://weheartit.com/entry/63000969?pgx=NewNav
http://weheartit.com/entry/55568309?pgx=NewNav
http://weheartit.com/entry/59849519?pgx=NewNav
http://www.portaleducacao.com.br/educacao-fisica/artigos/14991/fibras-de-contracao-lenta
ROSS, Michael H.: PAWLINA Wojciech. Histologia: Texto e Atlas. 6 ed. Guanabara: Rio de Janeiro, 2012. p.321
 

terça-feira, 7 de maio de 2013

Tipos de tecido muscular

Postado por: Letícia Carluccio
 
Olá pessoal!

 Sejam bem-vindos ao nosso blog de Bioquímica do Exercício! Iremos dar início as nossas postagens explicando as principais diferenças entre os tipos de tecido muscular encontrados em nosso corpo.

Basicamente, um tecido é um conjunto de células iguais ou diferentes que irão trabalhar para um fim em comum. No caso do tecido muscular a palavra de ordem é contração. Ele é caracterizado por ser constituído de células alongadas que possuem a capacidade de se contrair e, portanto permitir os movimentos realizados em nosso corpo.

Existem três tipos de tecido muscular: o tecido muscular liso, o estriado cardíaco e o estriado esquelético. Esses tipos de tecido irão diferir principalmente na atividade de contração, que poderá ser voluntária ou involuntária.

O músculo liso pode ser encontrado principalmente em nossas vísceras e esse tipo de tecido não efetua movimento voluntário, ou seja, sua atividade de contração é involuntária, caracterizada também por ser lenta e possuir períodos de tensão relativamente longos. Um exemplo de contração que acontece nas vísceras são os movimentos peristálticos, que irão empurrar o bolo alimentar ao longo do trato digestório. Outro movimento característico do tecido muscular liso é a vasoconstrição (o processo de contração dos vasos sanguíneos).

 O tecido muscular estriado cardíaco é assim chamado por estar presente no coração e pelo fato de suas células alongadas possuírem padrões de estrias longitudinais quando observadas ao microscópio. Essas estrias, nada mais são do que os arranjos dos sarcômeros, ou seja, os conjuntos das fibras contráteis (esse conceito será melhor explicado no post relacionado á contração muscular). É importante lembrar que o tecido muscular liso também possui proteínas contráteis, porém não estão organizadas de modo a formar um padrão de estrias. A contração do tecido muscular cardíaco possui contração ritmada e involuntária.

O tecido muscular estriado esquelético também apresenta um padrão de estrias. Na imagem abaixo, podemos observar que as células musculares são multinucleadas, onde tais núcleos se encontram nas porções periféricas das células, denotando que existe uma intensa atividade metabólica das células que compõem este tipo de músculo. O tecido estriado esquelético possui esse nome porque além da presença de estrias, está ligado ao esqueleto, permitindo os movimentos voluntários, (ou seja, o indivíduo possui controle sobre os movimentos, visto que eles são desencadeados por impulsos nervosos). 

Até o próximo post!

Referências:
http://portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnicaAula.html?aula=1512

MARZZOCO, Anita; BAPTISTA, Bayardo. Bioquímica Básica. 2 ed. Guanabara: Rio de Janeiro, 1999. p. 303.